Faculdades entram na Justiça contra mudanças no Fies


A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) entrou na Justiça contra as alterações feitas nas regras do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) em dezembro de 2014. A federação protocolou mandado de segurança coletivo, pedindo liminar protetiva às instituições de ensino para que as mudanças não sejam aplicadas.

“Estamos questionando as alterações feitas por meio de portaria. Não pode (a portaria) alterar lei que foi votada pelo Congresso Nacional”, defende a presidenta da Fenep, Amábile Pacios.

Com as modificações, passa a ser exigida nota mínima de 450 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e não ter zerado a redação para obter o financiamento. Antes era preciso apenas ter participado do exame. A portaria proíbe que o aluno acumule bolsa do Programa Universidade para Todos (ProUni) e o financiamento em cursos diferentes. A complementação das bolsas parciais no mesmo curso e na mesma instituição continua sendo permitida.

Outra mudança estabelece a emissão dos CFT-E (títulos do Tesouro Nacional, por meio dos quais as mantenedoras recebem o crédito do Fies) em oito vezes para as mantenedoras com número igual ou superior a 20 mil matrículas do Fies e a redução do total de recompras no ano para todas as instituições. Antes a emissão era mensal.
Segundo Amábile Pacios, a medida prejudica os alunos que recorrem ao Fies, que são oriundos de escolas públicas. Está apenando duas vezes, oferecendo educação ruim e impedindo o acesso ao ensino superior. A Fenep estima uma redução de 20% no número de jovens beneficiados com as políticas educacionais no setor privado.A Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Educação Superior (Abraes), que reúne grandes companhias privadas de ensino, busca no MEC Na quarta-feira, 21 com uma proposta intermediária para o Fies, por meio de reuniões de negociação. Na semana passada, o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) enviou ofício ao MEC solicitando ao ministro Cid Gomes “providências urgentes” para a revisão das alterações nas regras do Fies.

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